quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Os pingos não cessam, o ponto de ônibus cheio, nervos a flor da pele, o relógio não perdoa, a frequência não perdoa, os transeuntes não perdoam e param, os comerciantes nas portas param, as bocas não perdoam o silêncio do corpo ao chão, e os pingos não cessam.

domingo, 24 de novembro de 2013

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E se o coração da gente 
Fosse posto só depois de terra preparada,
Igual semente?




II.

A pouco ela confessou - logo após um gargalhar meu - que sempre me deixou sorrir à vontade quando criança. Mas que pequena a reprimiam quando largamente queria sorrir. 
Ela mudou alguma coisa entre o ontem e o hoje, e deve ser por isso que no agora não me preocupam as, ou quantas, rugas meu rosto irá abrigar, mas sim quais.
I.

Desde cedo, por vezes ouvi minha mãe contar
Que chorou ao saber que o bebê que esperava era uma menina.
E que quando indagada a respeito das lágrimas, disse: "É que mulher sofre muito".
O sentimento que me invadiu ao escutar tal historia não foi medo, impotência ou qualquer outra coisa que me paralisasse, eu ja era capaz de saber em que acreditar.
E acreditei no que senti; alguma espécia de indignação, fervor no peito, uma força que me movia. 
Sim, naquele instante tive a noção do compromisso, dos tantos sorrisos que eu devia a minha mãe.
A estrela está morta!
Brilhar é coisa de olhar.